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segunda, 21 de maio de 2012
Quinta, 04 de Agosto de 2011
As novas aventuras do mensalão Imprimir E-mail
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Escrito por Marcos Coimbra   
Com a regularidade das marés, o mensalão reaparece a cada vez que falta assunto à nossa grande imprensa. Nenhuma oportunidade passa em branco. Depois de ter ficado uns tempos esquecido, ele fez sua reentrada depois que a crise Palocci eclodiu, rompendo o tênue pacto estabelecido com Dilma Rousseff. Tínhamos vivido alguns meses de aparente unanimidade, em que até os matutinos paulistas guerreavam para saber qual o mais dilmista. Salvo alguns radicais, toda a elite estava embevecida com ela.
 
Curiosamente, a campanha eleitoral havia transcorrido sem que fosse invocado como argumento pela oposição. Se não contarmos uma ou outra menção esporádica, nem José Serra nem (muito menos) os candidatos oposicionistas nos estados pareciam interessantes em relembrá-lo.
 
Pudera. Como o esforço de Serra era mostrar-se mais qualificado que Dilma para continuar a obra de Lula, não seria ele quem iria denegrir seu modelo de presidente. Foi apenas quando ficou patente que suas chances eram mínimas é que resolveu trazê-lo (timidamente) à baila. Os candidatos aos outros cargos sequer isso.
 
E seus telhados eram de vidro. Embora nenhum dos escândalos a envolver políticos do PSDB e do DEM tivesse a dramaticidade do que aconteceu em 2005 com o PT, o passado de ambos era vulnerável. Melhor não mexer em vespeiros.
 
Mas a principal razão do mensalão não ter sido assunto em 2010 são as pesquisas de opinião e o pragmatismo que ensejam. Tucanos e demistas sabiam que o tema é de baixo impacto. Que não dá votos.
 
Isso havia ficado claro ainda em 2006, mais exatamente no início do ano. Foi quando todos os levantamentos de intenção de voto mostraram que Lula voltara a crescer, depois de ter estado em baixa tão profunda, no fim do ano anterior, que Serra o suplantava nos cenários de segundo turno.
 
Passou o carnaval e a situação estava invertida. Pressentindo a derrota, Serra reconsiderou os planos e achou mais prudente deixar a batata quente nas mãos de Geraldo Alckmin. Embora hesitante até a undécima hora, lá foi ele disputar o governo de São Paulo.
 
Ninguém forneceu uma explicação definitiva do que aconteceu naqueles meses entre dezembro de 2005 e março de 2006. É possível que a população tivesse ficado exaurida com tantas denúncias. É possível que achasse que valia a pena manter Lula no governo, apesar de tudo, pois seus adversários não seriam diferentes nas coisas ruins e piores nas boas. É possível que tivesse feito um balanço de tudo que soubera e resolvido que era “intriga da oposição”.
 
O fato é que a vasta maioria da população “perdoou” Lula e uma parcela muito expressiva permaneceu (ou logo voltou a ser) petista, apesar do trauma. Ainda em 2008, o PT ultrapassou a marca de mais de 30% de simpatizantes no eleitorado, cerca de três vezes a soma dos partidos de oposição.
 
O mensalão continuou a existir como assunto somente para quem sempre rejeitou Lula e o PT. Tornou-se um mantra para a parcela da oposição que não precisa disputar mandatos. Particularmente, para aquela que considera que cabe à mídia fazer o que os políticos não fazem: a “verdadeira” oposição. E onde está ela? Na própria imprensa.
 
Neste ano, o sinal do que estava por vir foi dado por matérias puramente especulativas, que discutiam, em manchete, temores de hipotéticas “manobras” para retardar a decisão do Supremo. De lá para cá, foi uma atrás da outra, reaquecendo conteúdos ou recontando velhas histórias.
 
Isso ficou visível depois da demissão de Palocci. Com aquela crise fora da pauta, o mensalão voltou a receber tratamento vip das chefias de redação. Perdeu espaço quando veio a nova crise, nos Transportes, até que Dilma fizesse aquilo em que ninguém apostava, se livrando de Alfredo Nascimento. Com isso, ressurgiu o mensalão.
 
Hoje, é um tema que desafia a imaginação literária. Como não há nele nada que não tenha sido repetido milhares de vezes ao longo dos últimos cinco anos, falar do mensalão tornou-se um exercício de adjetivação. Não é fácil dizer sempre a mesma coisa.
 
Há quem imagine que o calendário do assunto no Supremo seja fonte de grandes temores dentro do PT, pelo risco de que possa prejudicar o partido nas eleições municipais de 2012. Quem tem esse medo conhece pouco de como pensam os eleitores na hora de escolher prefeitos e vereadores.
 
Marcos Coimbra
Artigo publicado originalmente na revista Carta Capital

 
 

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